Perdidas em Marrakesh

A viagem foi feita de ônibus e, partiu de Coimbra, Portugal em direção à África. O trajeto passava pela Espanha até chegarmos ao Estreito de Gibraltar. Em Tarifa, última cidade espanhola, fizemos a travessia pelo estreito de ferry boat assistindo um maravilhoso pôr do sol no mar Mediterrâneo.

O controle de passaporte foi feito dentro do barco assim que entramos.  Após a travessia, chegamos à primeira cidade do Marrocos chamada Tânger. Ali começou realmente a nossa aventura. Sem dúvida, foi umas das viagens mais exóticas que já fiz por conta das diferenças culturais e, também, pela riqueza das paisagens.

É difícil definir o que mais gostei nessa viagem: andar de camelo dromedário no deserto do Saara, acordar de madrugada para ver o sol nascer nas dunas amareladas, dormir em um acampamento berbère, experimentar a culinária e apreciar a música desse povo à luz da lua,  conhecer mesquitas grandiosas, tomar chai, ver a fabricação de cerâmicas, sentir calor, ver neve, conhecer um oásis, apreciar ruínas romanas, explorar uma cidade medieval árabe quase intacta, passar pela Cordilheira dos Atlas, contemplar uma cidade fortificada, enfim, diante de tanta novidade, impossível escolher uma coisa só.

Por conta disso, essa peregrinação marroquina me deixou ótimas recordações, posso viajar sozinha em pensamento lembrando de cada uma das histórias vividas naqueles dias. Entretanto, escolhi uma delas para contar aqui:

Eu e mais duas queridas amigas fazíamos parte de um grupo maior nessa viagem. Nosso roteiro era bem extenso e pudemos conhecer muitos locais daquele país. Uma das cidades que visitamos, foi a famosa Marrakesh. Nesta cidade, no fim do dia, fomos deixadas em Djemaa el Fna, era uma espécie de mercado onde tudo acontece. O lugar é super movimentado, é ponto de encontro de acrobatas, contadores de histórias, encantadores de serpentes, dançarinos, músicos e tudo mais. Chegamos lá e tivemos a chance de circular pelo local e apreciar as atrações, logo depois, voltaríamos ao nosso hotel caminhando.

Segundo as instruções que nos foram passadas, parecia ser tudo muito fácil. Depois de conhecermos tudo, desde o mais clichê ao mais inesperado, resolvemos que já era hora de retornar ao hotel, já que o outro dia seria muito intenso, assim como toda a viagem.

Tínhamos em mente que no máximo em 30 minutos estaríamos em casa. Começamos o trajeto de volta a pé, era perto e, nada poderia dar errado. Uns quinze minutos depois notamos que não sabíamos muito bem o caminho e teríamos que andar muito, pois havíamos desviado do percurso correto. Foi então que uma das amigas sabiamente sugeriu que voltássemos de taxi, estávamos cansadas e concordamos com a ideia. Nada poderia dar errado, tínhamos o nome do nosso hotel anotado.

Encontramos um taxi disponível porém, o taxista falava árabe e francês, nosso humilde inglês não serviria de nada. Mas, como sabíamos o nome do hotel, nada poderia dar errado. Então mostramos o nome do hotel que queríamos ir, ele se chamava Mogador Hotel. O taxista concordou em nos levar. Passados alguns minutos, trajeto de taxi iniciado, estranhamos um pouco o caminho, pois não parecia em nada como o caminho que havíamos feito de ônibus. O taxista finalmente chegou ao hotel, parou próximo a entrada e apontou para o edifício e disse: Mogador Hotel, Mogador Hotel!

No banco de trás do taxi estávamos semiparalisadas e nos entreolhávamos com o mesmo semblante:  - gente, esse não é nosso hotel, mas o nome é esse mesmo. Um funcionário do hotel veio até o taxi e disse que havia outro Mogador Hotel. Respiramos aliviadas, a partir dali nada poderia dar errado.

Enfim, chegamos ao outro Mogador Hotel que, infelizmente, também não era o nosso hotel. Sim, havia outro hotel com o mesmo nome. Diante da situação inusitada, estávamos perplexas e bateu um pequeno pavor naquele trio de mulheres perdidas em um país que não tem uma reputação muito boa no trato com o sexo feminino.

Uma das amigas estava extremamente preocupada tentando pensar em uma solução, no mesmo instante a amiga ruiva tentava lembrar o que havia em frente ao nosso hotel para dar como indicação ao taxista e eu queria achar uma internet disponível para pedir ajuda ou sei lá o que. Já estávamos aflitas e falando até em português com o taxista: - moço, pelo amor de Deus, cadê esse hotel?!

 Na cabeça, milhões de pensamentos, nós três sem Internet, sem contato algum com ninguém, sem o endereço correto do hotel e nada mais. Contávamos apenas com a boa vontade do taxista.

Finalmente, depois de rodar praticamente toda a Marrakesh e pararmos em frente a diversos hotéis, que definitivamente não eram o nosso, descobrimos que havia simplesmente cinco hotéis com o mesmo nome!

Descemos do taxi com o sorriso amarelo aguardando a possivelmente corrida de taxi mais cara que já havíamos pago na vida, mas supreendentemente o taxista não quis cobrar um centavo a mais do que havíamos combinado anteriormente com ele. Por fim, aliviadas adentramos nosso hotel com cara de paisagem, como se nada tivesse acontecido.

Depois de toda essa aventura aprendemos uma lição para a vida, antes de sair do seu hotel, em um lugar completamente desconhecido, sempre pegue um cartão com endereço da sua hospedagem, não custa nada e evita apertos futuros!

 

* Texto dedicado às amigas Naine e Ana Lúcia que tornaram a viagem ao Marrocos muito mais divertida e inesquecível.

**Essa viagem incrível foi feita com a agência de viagens dos queridos amigos da Quebra Tour que fica sediada em Coimbra e tem roteiros fantásticos.

Comentários

Ahhhhh...quero ir tb

MundoPequeno: Tem que ir, é muito maravilhoso!

Que legal, meninas.
Viagem realmente maravilhosa

MundoPequeno: Foi muito boa a viagem, só tivemos esse probleminha em Marrakesh.