A chegada surpresa - Brasil

A passagem foi comprada com 4 meses de antecedência, decidimos que já era hora de voltar ao Brasil. Era grande a vontade de rever nossas famílias, amigos, matar a saudade da maravilhosa comida brasileira e do clima quente, claro. Havia também outros propósitos como o de fugir um pouquinho do inverno manx e aproveitar o verão brasileiro.

Parece impressionante, mas um dia após a compra da passagem começou uma avalanche de declarações de saudades. Não vinha da minha parte, pois apesar de eu estar com muitas saudades, eu estava tranquila porque sabia que veria todos em breve. Essa saudade vinda principalmente das nossas famílias.

Depois desse dia passei a ouvir vários: “nossa, eu estou com muita saudade de você hoje”, ou “queria tanto que estivesse aqui”, “quando vocês vêm?” ou ainda um simples pedido: “vem aqui”. A vontade de contar que iríamos era grande, mas queríamos fazer uma surpresa, era nossa primeira vez voltando ao Brasil depois de casados. Eu estava muito animada.

Sempre recebo o carinho dos entes queridos, estamos sempre “juntos”, apesar da distância física. Isso foi algo que construímos ao longo de nossas vidas e o resultado disso é um carinho diário natural e sem cobranças.

A minha saudade de fim de ano virou texto e foi publicado na minha coluna do Brasileiras pelo mundo (Afinal, quem não tem saudade?) no dia que saímos da Ilha de Man rumo ao Brasil. Quis me permitir falar/escrever mais sobre a questão da saudade, para mim seria mais fácil fazer isso sabendo que em breve iria abraçar todo mundo. Tudo calorosamente calculado. 

Foi difícil! Pensei algumas vezes em contar, mas só de imaginar que uma chegada inesperada seria tão emocionante resolvi manter a nossa decisão. Imaginei mil formas de chegar, mas no final decidi que só aparecer na casa dos meus pais e tocar o interfone já seria surpresa suficiente. 

Três meses antes comecei a perguntar sobre coisas que os meus sobrinhos estavam gostando no momento para preparar presentinhos especiais para eles, muita saudade dos três pequenos, que já não estão mais tão pequenos assim.

Na semana anterior à ida, fiz algumas pesquisas para saber se todos estariam em casa ou viajando, para uma melhor organização da chegada. Durante a viagem, nos aeroportos, eu fui fazendo contato como se estivesse em casa, o plano tinha que sair perfeito.

Depois de tudo isso, chegou finalmente o dia da viagem. No dia anterior à partida, era uma sexta-feira e nevou como eu nunca tinha visto na ilha. A despedida, mesmo que temporária do frio, foi linda. Saímos no sábado de manhã, a viagem foi longa em todos os sentidos.

Os atrasos começaram na Ilha de Man. Esperamos 4 horas no aeroporto o que nos fez perder o voo do segundo trecho que ia de Manchester para Paris. A ansiedade era gigante, mas no final tudo correu bem, com exceção das malas que para variar um pouco, chegaram bem depois. Quase no fim daquela viagem, foi ótimo ouvir o piloto anunciar a chegada no Brasil informando a temperatura do Rio de Janeiro. Mas a viagem ainda não tinha acabado, havia ainda mais um trecho até o destino final.

No aeroporto do Galeão já pude sentir um pouco do Brasil, todo mundo falando o bom e velho português. Já cheguei e saboreei uma coxinha com chá mate, no almoço pedi o clássico arroz com feijão. Não podia perder tempo.

Fomos recebidos no destino final, que era aeroporto de Vitória, por alguns familiares do meu marido que sabiam da nossa chegada e fomos começando ali mesmo a matar as saudades. Que delícia de abraços, era o calor do Brasil nos encontrando.

Ao chegar na casa dos meus pais a surpresa realmente foi grande. Ninguém desconfiou nem por um instante que apareceríamos sem avisar. Não sabiam se riam ou se choravam, todos nos olhavam tentando ver se tínhamos mudado fisicamente. As crianças estavam com medo de ser apenas um sonho e me abraçaram muito. A ficha demorou para cair, e todos não paravam de me dar coisas para comer, pão de sal fresquinho, suco de maracujá natural, leite com Toddy, doce de morango, jaca, tudo junto e mais um pouco.

Desde que fui morar na Ilha de Man, o tempo parece que passou bem rápido, outro dia mesmo eu estava escrevendo sobre as primeiras impressões ao chegar nesta ilha e agora eu já estava voltando ao Brasil para visitar.

Fiquei três maravilhosas semanas no Brasil. Curti praia, sol, banho de cachoeira, a família, os amigos, comi churrasco, moqueca capixaba, açaí, carne seca com abóbora e o feijãozinho caseiro, que delícia! Só de lembrar já me dá agua na boca.

Nesses dias no Brasil, fui me encontrando com os diferentes grupos de amigos, com nossos familiares, foram saborosos almoços e cafés da tarde e, percebi algumas coisas que a gente só se dá conta estando fora. Nos primeiros dias achei tudo muito barulhento, música alta, muitas motos, buzinas, o som das ruas é muito intenso. Mas alguns barulhos são divertidos e necessários como as palmas durante o “Parabéns pra você”, a risadas das histórias engraçadas, a animação na hora de revelar o amigo secreto e tantos outros sons alegres.

Percebi também, a cada reencontro, que um encontro não é suficiente, dois também não, quiçá três! Mas eu tive que me contentar com o que foi possível, também não consegui encontrar as amigas e parentes que moram nos outros estados, isso foi um lembrete da imensidão que é o Brasil.

Definitivamente matar saudade é algo que só pode ser feito pessoalmente, por mais que as tecnologias ajudem, e ajudam muito, mas nada como um abraço apertado acompanhado de um “você faz falta”. Finalmente nossas férias no Brasil terminaram, voltamos para nossa pequena ilha com o coração aquecido, um gostinho de quero mais, uma lágrima no cantinho do olho e a certeza que novas idas e vindas serão necessárias para reabastecer as energias e continuarmos vivendo bem e felizes mesmo tão distantes.

Comentários

Foi maravilhoso receber voces em casa. Surpresa boa que aqueceu o coração. Já a saudade, a gente continua sentindo. Até o proximo encontro. Abraço apertado.

MundoPequeno: Foi maravilhoso encontrar vocês. Tinha espaço no coração para mais encontros e assunto não falta nunca. E a saudade não tem fim mesmo. bjos e até a próxima! ;)

Muito lindo o texto!

MundoPequeno: Muito obrigada!!

Muito bom matar a saudade de vocês, que tanto amamos e que fazem falta aqui por perto.

MundoPequeno: Bom de mais, fico feliz que vocês ainda conseguem estar sempre por perto de várias formas, inclusive fisicamente por aqui! Que consigamos matar essa saudade mais vezes :)